Gilberto Miranda no esquema desbaratado

 
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Sem teorias conspiratórias, pelo menos até se ter mais dados sobre a Operação da Polícia Federal que desbaratou uma suposta quadrilha de venda de pareceres.
Entre os envolvidos, um dos ícones da corrupção política do país, o ex-senador Gilberto Miranda. Nos anos 90, ligado a José Sarney, Miranda dominou a Zona Franca de Manaus, tornando-se milionário. Durante certo período, só conseguia cotas de importação quem passasse por ele.
Seu irmão, Egberto Baptista, foi um dos principais operadores dos esquemas que atuaram no governo Fernando Collor.
Gilberto foi peça central no escândalo dos precatórios, na condição de senador responsável pela aprovação do aumento de endividamento das prefeituras e governos do estado. E foi um dos autores do Dossiê Cayman, àquela altura ligado ao ex-prefeito Paulo Maluf, beneficiário também dos precatorios.
Por sua ilha passaram inúmeros jornalistas e políticos. Nos anos 80 era frequentada por políticos que iam do então senador Fernando Henrique Cardoso a Paulo Maluf.
Sua influência estendia-se aos jornalistas, também. No episódio dos precatórios, levei vários tiros de colegas de Brasília, inclusive da sucursal da Folha na época, alimentados por ele. Narro a história no meu livro "O jornalismo dos anos 90".
Os dois irmãos participavam também de jogadas empresariais, utilizando grampos e jornalistas. Um dos casos clássicos foi na disputa entre Kayser e Ambev, no episódio da compra da Antárctica. Contratados pela Kayser, os irmãos grampearam uma conversa entre o advogado Ayrton Soares e a conselheira do CADE Hebe Tolosa. Passaram para o mesmo jornalista que atuou com eles na divulgação do caso Cayman e no acobertamento da operação dos precatórios.
A matéria iria sair com estardalhaço em um jornal paulista. Aí a assessoria da Ambev ligou para o proprietário dizendo que o jornalista ligara para a empresa, em um período em que o aparelho ina não era muito conhecido. Os assessores deram retorno no número registrado e o telefone era do próprio escritório de Gilberto Miranda.
A matéria foi abortada.
Agora, se Gilberto Miranda está envolvido no episódio, pode-se ter certeza de que era jogada graúda.

VEJAM ABAIXO COMO O BRASIL É UM PAÍS DE ''OPORTUNIDADES''...PARA MALANDROS.


imagem de Marcia
Marcia
Miranda ataca nos celulares
O empresário e ex-senador Gilberto Miranda participa de negócio de R$ 240 milhões com a operadora de telefonia Vivo
David Friedlander e Ricardo Grinbaum
Deverá ser anunciado nos próximos dias o resultado de um dos mais cobiçados contratos para a compra de telefones celulares no Brasil. A Vivo, maior operadora do país, ainda faz segredo dos detalhes, mas o valor do pacote passa dos R$ 240 milhões. Todo esse dinheiro será pago a uma empresa espanhola, a Vitelcom, vencedora da uma concorrência entre oito fabricantes de celulares. A Vitelcom não tem fábrica nem executivos no país. Mas conta com um grande aliado. Trata-se do ex-senador Gilberto Miranda, conhecido como uma das pessoas mais influentes na Zona Franca de Manaus. Miranda fez fortuna intermediando negócios para indústrias que se instalaram na Amazônia, onde contam com abatimentos de impostos. Depois de se envolver em vários lances polêmicos nos anos 90, ele andava sumido. Agora, volta em seu melhor estilo com os celulares da Vivo.
Embora seja chamado de empresário, ninguém sabe dizer exatamente o que Gilberto Miranda faz. Na concorrência dos celulares, é a mesma coisa. Suas pegadas estão por lá, mas, por alguma razão, ninguém explica claramente o motivo. A direção da Vivo alega que não pode se manifestar, porque suas ações são cotadas em bolsa - o que a obriga a fazer seus anúncios publicamente. Mas Época apurou que, dentro da companhia, quando o assunto é a compra de 1,1 milhão de aparelhos, fala-se que o contrato ficou com a Vitelcom e Gilberto Miranda. Os rivais sopram que o ex-senador é sócio da Vitelcom no Brasil. Procurado pela reportagem de Época, Miranda não quis conversar a respeito. Mas mandou um recado pela secretária: disse que não entende nada de celulares e deu um telefone no México para tratar do assunto.
O número era do brasileiro Carlos Gauch, presidente da Vitelcom para a América Latina. Gauch evitou dar detalhes e disse que nem sabia da vitória da empresa. Sobre Miranda, falou vagamente: "Se ganharmos a concorrência, ele poderá ser um parceiro no Brasil. É um candidato forte, mas existem outras possibilidades". Por parceiro, entenda-se que o ex-senador - que não sabe nada sobre celulares - pode ser o dono da linha de produção em Manaus, onde serão montados os aparelhos da Vitelcom para a Vivo.
Gilberto Miranda fez sua fortuna, estimada em centenas de milhões de dólares, como sócio das indústrias que se instalavam em Manaus. Influente, ele ajudava empresas a obter as licenças para abrir suas fábricas e ganhava em troca participação no capital das companhias, algumas de grande porte, como as filiais da IBM e da Xerox. Mais tarde, revendia as ações para as próprias empresas. Isso foi muito comum no auge na Zona Franca, 30 anos atrás. Até hoje o ex-senador é poderoso na Amazônia. "Temos de levar em conta cada centavo de custo na cadeia produtiva, incluindo a viabilidade dos incentivos fiscais na Zona Franca de Manaus", respondeu Gauch, da Vitelcom, ao ser questionado sobre a razão que levaria Miranda a tornar-se sócio da empresa na fabricação de celulares. O executivo afirma que a fábrica de celulares ainda pode ir para outro Estado. No passado, Miranda teve contrato para fabricar telefones em Manaus para a Vitelcom. "Era outra época", diz Gauch.
Uma das maiores qualidades de Miranda como empresário é sua capacidade de sedução. Filho de um tintureiro pobre do interior de São Paulo, ele foi professor de natação e estudou Direito, em Brasília. Teve seu primeiro contato com a Zona Franca de Manaus ao defender uma empresa acusada de contrabando de máquinas de calcular. Há 30 anos, possuía um Passat e um patrimônio de US$ 10 mil. Foi quando abriu sua primeira empresa em Manaus. De lá para cá, sua vida mudou muito. Bon vivant, dono da Ilha das Cabras, no litoral de São Paulo, vive cercado de belas mulheres e costuma ser generoso com os amigos. Também ficou conhecido por ajudar os companheiros de política, cedendo jatinhos para as campanhas eleitorais. Época apurou que Miranda circula pela Vivo há um bom tempo. Há um mês, quis abrir sua mansão em São Paulo para um encontro entre Francisco Padinha, presidente da Vivo, e o ministro das Comunicações, Eunício Oliveira. O ministro, assim como Miranda, é do PMDB. O convite foi feito, mas nem Padinha nem Oliveira compareceram ao evento. Os dois alegaram problemas de agenda. A um amigo, o ministro contou que prefere não encontrar empresários do setor de telecomunicações fora do ministério.
A Vitelcom terá de revelar seu parceiro brasileiro com urgência. No contrato da megaconcorrência da Vivo, o prazo de entrega de 1,1 milhão de aparelhos celulares foi estipulado para até o fim do ano. Além disso, se for necessário apresentar um projeto novo na Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) para ter direito aos benefícios fiscais, a empresa gastará pelo menos dois meses. Também é preciso aprovar no governo do Estado do Amazonas o projeto para redução do ICMS (imposto sobre circulação de mercadorias) em 88%. Todo esse trâmite burocrático representa a parte mais trabalhosa do negócio. O mais fácil é fabricar os celulares. Basta um galpão e um grupo de operários para montar as peças, em geral importadas, e colocar o logotipo da empresa.
Alguns dos principais fabricantes de celulares no Brasil estão de olho nesse negócio. No total, a Vivo vai comprar 5 milhões de aparelhos, que serão vendidos a preço de ocasião para a clientela. O primeiro lote, de 1,2 milhão de unidades, saiu em junho para os chineses da ZTE. Na segunda rodada, chegaram à reta final a Gradiente, a Evadin/ Aiko e a Vitelcom. Deu Vitelcom, que tinha o melhor preço. Mas o jogo não acabou, já que falta encomendar mais 2,7 milhões de aparelhos.
http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EDR65185-6012,00.html

UM CONTO DE CINDERELA chamado GILBERTO MIRANDA...ou: vejam como um caipira pé-de-chinelo se tornou BON VIVANT e; um dos HOMENS MAIS PODEROSOS desta GRANDE República Bananeira.
NOUVEAUX RICHES, são invariavelmente, pessoas arrogantes e grotescas, porém; a história de vida deste outrora LEÃO-DE- CHÁCARA confidente de DITADORES:  causa asco e revolta...até para os nossos padrões de ROUBALHEIRA E FISIOLOGISMO.


Marcia
quinta-feira, outubro 22, 2009

Uma fábula fabulosa



Filho de um tintureiro semi-analfabeto e de uma dona-de-casa com o primeiro ano primário, Gilberto Miranda nasceu em São José dos Campos (SP), em 1946. Garotão bonito, físico de atleta, ele chegou a Brasília em 1967 para tentar a vida. Arrumou emprego de professor de natação em uma escola pública de bom nome, CIEM. Fernando Collor de Mello e Paulo Octávio estudaram lá e foram seus alunos.

Entrou para uma faculdade particular, a única na época, o Ceub, e conseguiu diploma de bacharel em Direito. Em outro emprego, professor de natação do Iate Clube, conheceu um sujeito que mais tarde mudaria sua vida, Aloísio Campelo. Guardem esse nome que adiante ele entra em nossa história.

Praticante de artes marciais, Gilberto Miranda dava aulas de Natação durante o dia e trabalhava à noite como leão-de-chácara do restaurante Gaf, no Centro Comercial Gilberto Salomão, que se transformara em um badalado reduto de políticos, socialites e endinheirados.

Em virtude de uma queda de cavalo, o então Chefe do SNI, general João Figueiredo, sofria de dores intermináveis nas costas. No restaurante Gaf, ele ficou sabendo que o garboso leão-de-chácara também era um massagista de mão cheia. Gilberto começou a cuidar das dores lombares do general com técnicas de shiatsu, dando início a uma grande amizade.

Em 1973, Gilberto sacou sua carteirinha da OAB e anunciou que iria tentar a sorte grande no Rio ou São Paulo. “Vou arrumar um baú”, informou aos amigos, que caíram na gargalhada. Entenda-se por baú isso mesmo que vocês estão pensando: o mais do que manjado golpe do baú.

Chegou o bacharel primeiro ao Rio de Janeiro. Não deu certo. Mudou-se para São Paulo, onde o ajudou um antigo e rico amigo de piscinas olímpicas. Vivia ele de procurar no Diário Oficial empresários autuados pelo governo, INPS, Receita Federal, esses probleminhas menores. Detectada a presa, então se oferecia para resolver o assunto em Brasília, em contrato de risco.

Certo dia fechou um acerto com a Gentek. A empresa tinha mandado vir do Japão uma partida de contrabando de máquinas de calcular e os caixotes estavam detidos no depósito da Suframa, em Manaus.

Gilberto Miranda lembrou-se de que conhecia o chefão do órgão, o supracitado Aloísio Campelo, e foi lá tentar liberar a muamba, na maior cara-de-pau. Doutor Campelo gostava do rapaz e deu o toque: “Olha, quem fizer fábrica aqui em Manaus vai ficar rico”.

Com a frase na cabeça, Giba voltou para São Paulo com todo o contrabando legalizado sob o eufemismo de “mercadoria importada”. Logo depois, surgiu em sua vida um negociante, Mário Lander, representante no Brasil de uma indústria sueca de calculadoras, a Facit.

O hoje digníssimo empresário procurou-o para que apresentasse um projetozinho à Suframa para montar uma fábrica de calculadoras maquiadas. Era aquele tipo de empresa que queria importar tudo mais ou menos pronto, contratar uns peões para apertar uns parafusos e pregar a etiqueta “Made in ZFM”.

“Sabe, sei que o cara lá é seu amigo...”, insinuou Lander. Gilberto Miranda topou o desafio, com uma exigência. Não queria pagamento em espécie alguma. “Quero ser sócio”. Hoje ele conta: “Eu não tinha um puto no bolso. O cara foi embora e três dias depois voltou, aceitando o negócio”.

Foi isso que Gilberto Miranda fez a vida inteira. É disso que vive até hoje. Detecta indústria que estão a fim de montar fábricas em Manaus e consegue a liberação dos projetos em troca de participação acionária.

Conseguiu levar, segundo sua própria contabilidade, cerca de 250 empresas para a Zona Franca e aprovou uns 200 projetos. Vende as ações quando estão valorizadas e gasta a grana comprando bens de neo-pobres. Já foi sócio de Dílson Funaro, Mathias Machline e ainda é sócio de Mário Amato, entre outros.

Retornemos àquele início de vida. O general Figueiredo foi responsável por introduzir seu novo massagista particular no mundo empresarial paulista. Em 1974, outro fato relevante surgiu para alavancar nosso herói emergente: apareceu o “baú”.

Ele conheceu a socialite Ana Alicia Scarpa, filha de Don Nicolau Scarpa e prima do playboy Chiquinho Scarpa. Casou-se com a moça rapidinho e tratou de fazer de cara seus herdeiros. Nasceram duas meninas.

Nessa mesma época, ele também conheceu o jornalista e advogado Orestes Quércia, que acabara de deixar a Prefeitura de Campinas. Os dois montaram um escritório de advocacia na Avenida 9 de Julho, em São Paulo.

Quando o general Figueiredo assumiu a presidência, em 15 de março de 1979, a carreira de lobista de Gilberto Miranda começou a deslanchar. Seu escritório de advocacia foi encarregado de fazer a renegociação das dívidas que os grandes conglomerados industriais do País tinham com o extinto INPS.

Com carta branca para estabelecer novos prazos para pagamento parcelado das dívidas (50, 100, 150 ou 200 anos, com juros de pai pra filho), aquilo foi uma moleza semelhante a pescar em balde. Quando as renegociações terminaram, Miranda era um novo milionário.

Há 30 anos, possuía um Passat e um patrimônio de US$ 10 mil. Foi quando abriu sua primeira empresa em Manaus. De lá para cá, sua vida mudou muito.

O senador declara possuir uma ilha em Ilhabela (5 milhões), uma casa de campo (5 milhões), duas casas no Jardim Europa (3,5 e 2 milhões), um jatinho Lear Jet 36 (2 milhões), quatro fazendas em São Paulo (preços incalculáveis), oito carros importados (1 milhão), parte menor de um patrimônio total de R$ 1 bilhão e faturamento anual de 600 milhões em cerca de 20 empresas.

Ainda nos anos 80, Gilberto Miranda começou a se interessar pela política local. Em 1986, ele foi primeiro suplente do candidato ao senado Carlos Alberto Di Carli, tendo investido R$ 2 milhões na campanha. Depois de eleito, Di Carli se licenciou durante 120 dias para que Gilberto Miranda assumisse o senado pela primeira vez.

Em 1990, quando Gilberto Mestrinho disputou o governo do Estado pela terceira vez, Gilberto Miranda foi escalado como primeiro suplente do ex-governador Amazonino Mendes, candidato ao Senado. Investiu R$ 4 milhões na campanha.

Quando Amazonino renunciou ao mandato, em 1992, para disputar a Prefeitura de Manaus, Gilberto Miranda assumiu a vaga e seis anos de mandato.

Em 1996, o ex-massagista era senador do PMDB e contavam com seu voto para eleger o peemedebista Íris Rezende presidente do Senado. Rezende disputava com Antonio Carlos Magalhães, do PFL.

De repente, sem que até hoje se saiba o porquê, Miranda bandeou-se para o PFL. Garantiu a vitória de ACM e caiu-lhe nas graças, até a morte do babalorixá baiano.

O senador sem voto foi relator do orçamento da união, do polêmico projeto Sivam e do novo Código Brasileiro de Trânsito. Teve atuação destacada na CPI dos Precatórios.

Foi dele o projeto que propôs a extinção dos juízes classistas e o que propõe a legalização dos jogos de azar, dois entre dezenas dos que apresentou.

Em 1998, Gilberto Miranda foi o segundo suplente do candidato a senador Gilberto Mestrinho (o primeiro era o ex-deputado federal João Thomé, filho de Mestrinho).

O empresário investiu R$ 5 milhões na campanha e por muito pouco o candidato petista Marcos Barros, ex-reitor da Ufam, não conquistou a vaga.

O derramamento de grana no interior para reverter o quadro (Marcos Barros havia colocado uma diferença de quase 100 mil votos em Manaus) até hoje ainda tira muita gente do sério.

Em novembro de 2004, Gilberto Miranda assumiu a cadeira de senador pelo Amazonas, em lugar do titular Gilberto Mestrinho (PMDB), que se licenciou por motivo de saúde até o dia 31 de março de 2005.

Miranda ocupou o lugar de Mestrinho porque o primeiro suplente, João Thomé Mestrinho, também se licenciou por motivos particulares. Aquela foi a terceira vez que Miranda assumiu uma cadeira no Senado sem ter tido um único voto.

De quase tudo em que o senador sem votos se meteu surgiram denúncias de interesses ocultos. No caso Sivam, Gilberto Miranda foi citado no diálogo grampeado entre o embaixador Júlio César Ferreira Gomes e o empresário José Affonso, dono da Líder e representante da Raytheon no Brasil.

Ambos reclamavam que o senador, alegando irregularidades, dificultava as coisas para a empresa americana. “Você já pagou para este cara?”, perguntou, na conversa gravada, o embaixador a José Affonso. O “cara” era Miranda, que negou tudo.

No caso dos precatórios, o senador foi citado como defensor dos interesses de Paulo Maluf e Celso Pitta, ex-prefeitos de São Paulo. Em troca, teria direito a ingerências na prefeitura na gestão Pitta.

Quando rompeu com o marido, Nicea Pitta citou Miranda. “Ele pressionava o Celso para que a prefeitura pagasse as dívidas da OAS, construtora do genro de Antonio Carlos Magalhães”, mantém Nicea até hoje.

O último imbróglio envolvendo Miranda foi o chamado dossiê Cayman – papelada falsificada sobre suposta empresa e depósitos em paraísos fiscais que seria uma sociedade entre os tucanos Sérgio Motta e Mario Covas, além do ministro José Serra e do presidente Fernando Henrique.

O dossiê começou a circular, clandestino, no fim da campanha eleitoral de 1998. Só veio à luz depois da eleição de Fernando Henrique. As primeiras citações a Miranda registram um suposto encontro com o advogado Marcio Tomaz Bastos, representante do PT (e ex-Ministro da Justiça do presidente Lula), quando teria exibido o dossiê.

O advogado teria convencido a direção do partido a não usar a papelada e teria prometido segredo sobre o encontro com Miranda, que negou qualquer envolvimento.

Em 2007, Gilberto Miranda se casou com a estilista Caroline Andraus Lane – sócia da grife de moda praia Beach Couture –, numa festa de arromba.

Os padrinhos eram ilustres personagens do cenário político nacional, como o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, o ex-presidente José Sarney e sua filha Roseana Sarney, acompanhada pelo marido, Jorge Murad.

Entre os 300 exclusivíssimos convidados, o publicitário e apresentador Roberto Justus e a atriz Ticiane Pinheiro, a estilista Cris Barros, a modelo Mariana Weickert, o publicitário Nizan Guanaes e a empresária Donata Meirelles, o cantor Paulo Ricardo e a arquiteta Raquel Silveira e Marina Mantega, filha do ministro da fazenda Guido Mantega.

Naquele mesmo ano, a Fundação José Sarney recebeu R$ 300 mil de uma empresa de fachada, a KKW do Brasil, que representa duas “offshores” (firmas no exterior), com sedes na Inglaterra e no paraíso fiscal das Ilhas Virgens Britânicas.

Apesar de ter capital social de R$ 80 milhões (cifra de uma empreiteira de grande porte), a KKW não tem negócios visíveis, site ou sede própria.

Seus endereços e telefones correspondem aos da casa e do escritório de Gilberto Miranda em São Paulo, onde funcionam outras firmas atribuídas ao ex-senador, igualmente registradas (integral ou parcialmente) em nome de “offshores”.

As “offshores”, em especial as que têm sede em paraísos fiscais, são costumeiramente usadas para repatriar dinheiro que deixou o país de forma ilegal, em regra via doleiros.

Resumo da ópera: às vezes, ser um simples massagista pode transformar alguém em bilionário da noite pro dia. Basta que ele obtenha os contatos certos na hora certa. Comecem a aprender shiatsu, homeboys!

http://simaopessoa.blogspot.com.br/2009/10/uma-fabula-fabulosa.html