quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

DANIEL ALVES: O RACISMO LÁ E CÁ

Torcida grunhe em estádio e Daniel Alves denuncia racismo

publicado em 31 de janeiro de 2013 às 17:10

do El País (reprodução parcial), no dia seguinte ao empate entre Real Madrid e Barcelona, no Santiago Bernabéu, pela Copa do Rei
“Não pretendi deixar o campo, mas me incomoda que aconteçam estas coisas”, disse em referência aos grunhidos de macaco dedicados a ele por parte da torcida de Chamartín [do Real Madrid].
E acrescentou, tratando de extrapolar para além do Bernabéu: “Não acontece apenas neste lugar, não é algo pontual. É um problema do futebol espanhol. A educação nos estádios não existe e é preciso fazer algo”. Deu como exemplo a Inglaterra. “Devemos aprender. Isso não deve acontecer. É uma pena. Até que se tomem medidas, é uma guerra perdida”. Não fala de mil ou dois mil euros de multa a um clube, mas de fechar estádios. “Isso não é novo, acontece desde o primeiro dia que cheguei à Espanha. É preciso fazer alguma coisa”, denunciou.

O CONTERRÂNEO DE JUAZEIRO QUE FOI VÍTIMA DE RACISMO  NÃO ESTÁ SÓ:  ESSA NOJEIRA OCORRE ATÉ AQUI NA BAHIA
ELE TAMBÉM DIZ QUE O SUPOSTO PAI NÃO O RECONHECE...POR SER PRETO E POBRE
SUPOSTO PAI QUE RECUSA  RECONHECER A PATERNIDADE DO FILHO ACIMA

Bocão News - Política - Zé Carlos e seu filho ilegítimo - 27/05/2011

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27/05/2011 – O vendedor Cláudio José Costa Fontoura, 44, passou a ... onde morou e o hoje deputado federal baiano José Carlos Araújo (PDT), presidente ...

DO BLOG PORTUGUÊS 'RESISTIR.INFO'


A razão, nas grandes crises históricas

Do Resistir.info

A razão à prova das grandes crises históricas

Domenico Losurdo [*]
Como explicar a grande crise histórica que principia com a Revolução Francesa e que, um quarto de século mais tarde, é concluída (provisoriamente) com o retorno dos Bourbons? Friedrich Schlegel e a cultura a Restauração não cessaram de denunciar a "doença política" e o "flagelo contagioso dos povos" que estrondeiam a partir de 1789; mas é o próprio Metternich que alerta contra a "peste" ou o "cancro" que devasta os espíritos [1] . Para sermos mais exactos – indo mais longe do que este outro ideólogo da Restauração que é Baader – estamos na presença de uma "loucura de possessão satânica"; ao derrube do Antigo Regime sucedeu não a democracia mais sim a "demonocracia" [2] , ou seja, o poder de Satã. 

Mais tarde, após a vaga da revolução de 1848 e sobretudo da revolta operária, Tocqueville vai desenvolver a abordagem psicopatologisante: o que vai explicar a "doença da Revolução Francesa" é a propagação de um "vírus de uma espécie nova e desconhecida" [3] . Nos seus Souvenirs, referindo-se ao momento em que começa a subir a agitação que desembocará nas jornadas de Junho, o liberal francês faz dizer a "um médico de mérito que dirigia então um dos principais hospitais de loucos de Paris": "Que infelicidade e como é estranho pensar que são loucos, verdadeiros loucos, que provocaram isto! A todos operei ou tratei. Blanqui é um louco, Barbès é um louco, Sobrier é um louco, Huber sobretudo é um louco, todos loucos, senhor, que deveriam estar no meu [hospital de] Salpêtrière e não aqui". Tocqueville acrescenta a seguir: "Sempre pensei que nas revoluções e sobretudo nas revoluções democráticas, os loucos, não aqueles aos quais se dá este nome por cortesia, mas os verdadeiros, desempenharam um papel político muito considerável" [4] . 

Tocqueville.A referência a forças de alguma forma infernais não faltará daí em diante: nas jornadas de Junho, Tocqueville ouve soar "uma música diabólica" nos bairros que se preparavam para resistir e que convocam os habitantes à luta tocando a "generala". Os habitantes ouvem e preparam-se com um "ar sinistro", perdendo seus traços humanos. Eis a agitar-se de modo insensato uma "velha" que parece uma feiticeira: "A expressão odiosa e terrível do seu rosto fez-me horror, tanto o furor das paixões demagógicas e a raiva das guerras civis estavam nele bem representados". 

Na véspera da Comuna de Paris, a abordagem psicopatológica celebra o seu triunfo com Taine: 

"Se há para os corpos doenças epidémicas e contagiosas, há também para os espíritos e esta é então a doença revolucionária. Ela se encontra em simultâneo sobre todos os pontos do território e cada ponto infectado contribui para a infecção dos outros [...] Em todas as partes as mesma febre, o mesmo delírio e as mesmas convulsões indicando a presença do mesmo vírus, e este vírus é o dogma jacobina". [5] 

Não só a Comuna como todo o ciclo revolucionário francês é posto na conta do "vírus" e da "alteração do equilíbrio normal das faculdades" [6] . Lancemos um olhar a tal ou tal actor da revolução: "O médico reconheceria de imediato um destes loucos lúcidos que não encerra, mas que são os mais perigosos" (VII, 205). Com efeito, Marat comporta-se como "seus companheiros [do hospital] de Bicêtre" (VII, 208). Como se pode ver, passámos do Sapetrière de Tocqueville para o Bicêtre, mas a explicação das crises revolucionárias continua a ser procurada nos hospícios. Aos olhos de Taine também a loucura revolucionária tem algo de diabólico. Se Voltaire é um "demónio encarnado", Saint-Just e o protagonista de uma espécie de rito satânico: "Esmagar e subjugar torna-se uma voluptuosidade intensa, saboreada pelo orgulho íntimo, um fumo de holocausto que o déspota queima no seu próprio altar; neste sacrifício quotidiano, ele é em simultâneo o ídolo e o padre, e oferece-se vítimas para ter consciência da sua divindade" [7] . 

O ciclo que principia na Rússia em 1905 é comparável ao ciclo revolucionário francês. A cultura dominante vai então reactualizar o "diagnóstico" já efectuado. O "vírus de uma espécie nova e desconhecida" migra da França para a Rússia: é assim, num retorno explícito a Tocqueville, que argumentam François Furet e o sovietólogo estadunidense Richard Pires [8] . 

A leitura em termos psicopatológicos das grandes crises históricas está de tal modo difundida actualmente que até se pode observá-las nas categorias centrais do discurso político. Em 1964, Adorno vê no "totalitarismo psicológico" o fundamento do totalitarismo propriamente dito: há indivíduos que "não têm à sua disposição senão um eu fraco e em consequência têm necessidade, como substitut, da identificação com um grande colectivo e da sua cobertura". Não só desvanece-se assim a situação objectiva, a geopolítica e a história, mas os próprios ideólogos não desempenham qualquer papel: "Os caracteres submetidos à autoridade são avaliados de modo totalmente erróneo ainda que sejam construídos a partir de uma ideologia político-económica determinada"[9] . 

'.A deriva psicologista acaba por emergir também em Arendt. Com efeito, é recorrente nas Origens do totalitarismo a denúncia do "desprezo totalitário pela realidade e pelos próprios factos", pela "loucura" que a "sociedade totalitária" demonstra. Esta não é a busca com métodos brutais e sem nenhum escrúpulo moral de objectivos em todo caso logicamente compreensíveis. Não, no totalitarismo tratamos dos "paranóicos" (10): "A agressividade do totalitarismo não nasce do apetite de poder e o seu expansionismo ardente não visa a expansão para si mesmo, não mais do que o lucro; suas razões são unicamente ideológicas: trata-se de tornar o mundo mais coerente, de provar o bom fundamento do seu mau entendimento" (p. 810). Por outras palavras, o totalitarismo é a loucura que quer a loucura. 

Eis-nos chegados de alguma forma à cultura da Restauração, como se verifica a partir de um pormenor ulterior. Quanto aos "regimes totalitários" (não só o regime hitleriano como também o staliniano), Arendt faz intervir a categoria de "mal absoluto", que já não podem mais explicar "as vis motivações do interesse pessoal, da culpabilidade, da cobiça, do ressentimento, do apetite de potência e da covardia" (p. 811) e que portanto não pode ser explicado racionalmente. O Satã de que fala a cultura da Restauração é aqui tornado o mysterium iniquitatis. 

Mas porque a abordagem psicologisante deve ser considerada como errónea e mistificadora? Vejamos o que se passa nos Estados Unidos, nas vésperas da Guerra de Secessão, ou seja, deste trágico conflito que acaba por desembocar numa revolução abolicionista. Nos campeões do Sul escravocrata, comparam-se os abolicionistas aos jacobinos, eles próprios afectados pela loucura. Mas ocorre aqui uma novidade. Faz-se também um diagnóstico psicopatológico para os escravos. O número dos escravos fugitivos aumenta e os ideólogos da escravatura espantam-se: como é possível que pessoas "normais" se subtraiam a uma sociedade tão bem ordenada? Eis-nos claramente na presença de um espírito perturbado. Mas de que se trata? Em 1851, Samuel Cartwright, eminente cirurgião e psicólogo da Luisiânia, partindo do facto de que em grego clássico drapetes é o escravo fugitivo, conclui triunfalmente que a perturbação psíquica que leva os escravos negros à fuga é precisamente a drapetomania [11] . Outros ideólogos constatam que os escravos não obedecem mais às ordens dos mestres com a mesma celeridade anterior. O diagnóstico psicopatologisante intervém de novo: a doença em questão é agora a "disestesia", ou seja, a incapacidade dos escravos para compreender e reagir com celeridade às ordens do mestre [12] . 

'NietzscheNo século XIX vemos desenvolver-se uma outra revolução, a revolução feminista. E novamente caímos na denúncia da loucura e da degenerescência que estaria na base desta novidade incrível. É um grande filósofo, Friedrich Nietzche, que fala das protagonistas desta revolução como mulheres falhadas que desconhecem a sua natureza de mulheres e são mesmo incapazes de engendrar: "Emancipação da mulher – eis o que é o ódio instintivo da mulher falhada, ou seja, incapaz de procriar, contra a mulher de bom comportamento". A polémica contra o movimento feminista é tão rude que leva o filósofo a declarações de um filistinismo desarmante. As "emancipadas" seriam "mulheres fracassadas" ou então "aquelas que não o estofo para terem filhos" [13] . Pode-se tirar uma conclusão: historicamente, não se encontra desafio à opressão que não tenha sido taxado de loucura, de deformação da saúde e da normalidade. 

De resto, o diagnóstico psicopatologisante caracteriza-se pelo seu lado arbitrário. Pode-se constatá-lo até nos grandes autores. Em 1950, ao publicar seus estudos sobre a "personalidade autoritária", Adorno sublinha a "correlação entre anti-semitismo e anti-comunismo" e acrescenta a seguir: "Durante os últimos anos todo o mecanismo de propaganda na América foi consagrado a desenvolver o anti-comunismo no sentido de um "terror" irracional" [14] . Naquele momento, aqueles que foram afectados por perturbações psíquicas eram os anti-comunistas; em 1964, em contrapartida, Adorno inserirá exactamente os comunistas, com os fascistas, entre as personalidades intrinsecamente autoritárias e inclinadas ao totalitarismo! 

O diagnóstico psicopatologisante toma habitualmente como alvo os campeões da revolução, nunca os da guerra 

Também vale a pena notar que o diagnóstico psicopatológico toma habitualmente como alvo os campeões da revolução, nunca os da guerra. Os loucos são Robespierre e os jacobinos, mas não os girondinos feitores da guerra, cujas consequências devastadora para a liberdade civil e política são denunciadas de modo antecipado e com uma grande lucidez exactamente por Robespierre. Os loucos são os bolcheviques que invocam a Revolução para por fim à carnificina da Primeira Guerra Mundial, não aqueles que, prolongando a participação da Rússia nesta carnificina, não hesitam em sacrificar milhões de pessoas e em provocar no país uma crise política, económica e social de proporções espantosas. Mais ainda, a Primeira Guerra Mundial é saudada não só na Rússia mas em todo o Ocidente como um momento de regeneração espiritual exaltante e os maiores intelectuais da época empenham-se nesta obra de celebração e de transfiguração. 

Finalmente. Vimos Tocqueville identificar na obra de um "vírus de uma espécie nova e desconhecida" a causa do interminável ciclo revolucionário francês. Mas porque o autor desta explicação não poderia ser submetido, também ele, a um diagnóstico psicopatológico? Para demonstrar a loucura da "raça de revolucionários que parece nova no mundo" e que está a actuar em França, ele observa que esta "não só pratica a violência, o desprezo do direitos individuais e a opressão das minorias, mas, o que é novo, professa que assim deve ser" (II, 2, p. 337). E vejamos agora como o liberal francês celebra a primeira guerra do ópio:

"Trata-se de um grande acontecimento, sobretudo se se sonha que não é senão a sequência, o último termo de uma multidão de acontecimentos da mesma natureza que, todos eles, empurram gradualmente a raça europeia para fora da sua casa e submetem sucessivamente ao seu império e à sua influência todas as outras raças [...]; é a submissão de quatro partes do mundo pela quinta. Não difamemos nosso século e nós próprios; os homens são pequenos mas os acontecimentos são grandes".

Ou então vejamos qual comportamento Tocqueville sugere ao exército francês empenhado na conquista da Argélia:

"Destruir tudo o que se pareça a uma agregação permanente de população, ou por outras palavras, a uma cidade. Creio da mais alta importância não deixar subsistir ou elevar-se nenhuma cidade nos domínios de Abd-el-Kader" (o líder da resistência)." [15]

.Nestas duas declarações ressoa esta celebração da violência e da lei do mais forte de que se censura a "raça dos revolucionários" em acção em França. Por outras palavras, é de modo não só arbitrário mas também dogmático que procedem os fazedores da abordagem psicopatológica: eles não aplicam a si mesmos os critérios que fazem valer para os outros. 

Poder-se-ia objectar com Furet que o carácter patológico da violência jacobina (e bolchevique) reside no facto de que ela devora os seus próprios filhos. Se não fosse a dialéctica de Saturno que está bem presente na Reforma protestante na primeira revolução inglesa e que se manifesta também, com modalidades particulares, na revolução americana. Por ocasião da Guerra de Secessão, os dois campos reclamam-se da luta pela independência conduzida em conjunto contra a Coroa inglesa. Os abolicionistas referem-se ao princípio proclamado pela Declaração de independência segundo a qual "todos os homens foram criados iguais" e ao incipit solene da Constituição de Filadelfia na qual o "povo dos Estados Unidos" declara querer ulteriormente "aperfeiçoar a União". A propaganda da Confederação reivindica a herança da luta dos patriotas contra um poder central opressivo, sublinha a centralidade do tema dos direitos de cada estado singular no processo de fundação e na tradição jurídica do país, e observa que Washington, Jefferson e Monroe eram todos proprietários de escravos. Os dois campos opostos declaram avançar no rastro dos Pais Fundadores, mas isso não evita o choque e o torna mesmo mais rude. Não há dúvida: também neste caso, Saturno devora os seus filhos. 

É preciso notar igualmente que os colonos americanos protagonistas da guerra de independência contra o governo de Londres são definidos pelos seus contemporâneos ingleses, quer num julgamento positivo ou negativo, como "os dissidentes do desacordo". E se Burke denuncia a "doença" francesa desde a primeira da revolução [16] , Mallet du Pan põe em causa nesta revolução a "inoculação americana" [17] . Como se vê, a remessa à dialéctica de Saturno e à psicopatologia para explicar as revoluções não esperou o jacobinismo para vir à luz! 

Mas coloquemos agora uma pergunta: qual é o ponto de partida da loucura ideológica que teria assolado primeiro o ciclo revolucionário francês e depois o ciclo revolucionário russo? Furet, tal como Pipes, partem da França das Luzes e das sociedades de pensamento. E é do mesmo modo que argumenta Taine, que vimos criticar Voltaire como demónio incarnado e que vê a França revolucionária "intoxicada pela má aguardente do Contrato Social" de Rousseau [18] . Pode-se agora considerar como terminada a investigação para trás das origens do maldito vírus revolucionário? Nada disso! Bem antes da revolução que em França liquida o Antigo Regime, verifica-se na Alemanha a Guerra dos Camponeses que, conduzidos por Müntzer, insurgem-se contra os senhores feudais e querem abolir a servidão de gleba. Os protagonistas desta revolução são estigmatizados por Lutero como "profetas loucos" (tolle Propheten) que excitam a "populaça louca" (tolle Pöbel), como "visionários" (Schwärmerer, Geister, Schwarmgeister), loucos que perderam totalmente o sentido da realidade [19] . Mas esta campanha contra o ex-discípulo que se tornou louco não impede Lutero de ser por sua vez classificado por Nietzche entre os "espíritos doentes", a saber, entre os "epilépticos das ideias" (com Savonarole, Luther, Rousseau, Robespierre et Saint-Simon) ( O Anticristo, 54). 

Taine.Sim, segundo Nietzche, para encontrar as primeiras origens da doença revolucionária convém remontar bem mais para trás do que o fazem os críticos habituais da revolução: a loucura que desejaria o advento de um mundo perfeito e igualitário e que condena a riqueza e o poder enquanto tais começou a manifestar-se já com o cristianismo e mesmo, ainda antes, com os profetas judeus. Convencido da longa duração do ciclo revolucionário que assola o Ocidente, Nietzche convida a proceder finalmente ao acerto de contas com "estes milhares de anos de um mundo de choças" e com as "doenças mentais" que o assolam a partir do "cristianismo" (O Anticristo, 38). Poder-se-ia ler esta conclusão como a involuntária reductio ad absurdumda interpretação psicopatologisante do conflito político e, em particular, das grandes crises históricas. Mas não esqueçamos que Nietzche declara ter "passado pela escola de Tocqueville e de Taine" (B, III, 5, p.28), e que tem com este último relações epistolares marcadas por uma estima recíproca [20] . 

Nos nossos dias, igualmente, na esteira do filósofo alemão, um ilustre historiador das religiões (Mircea Eliade) e um eminente filósofo (Karl Löwith) explicam a loucura sanguinária do século XX partindo de longe, de muito longe: tudo teria começado em tempos bastante recuados com a recusa do mito do retorno eterno e com o advento da visão unilinear do tempo e da fé no progresso que a acompanha: tudo teria começado com, uma vez mais, a afirmação da cultura judia e cristã. A tendência para liquidar as grandes crises históricas (e em última análise a história universal) enquanto expressões de loucura caracteriza a cultura actual de modo talvez ainda mais forte do que a cultura da Restauração. 

Mas como explicar o facto de que as explosões de loucura manifestam-se mais frequentemente e numa escala mais vasta em certos países do que em outros? Conhece-se em Tocqueville a tendência para celebrar um sentido moral e prático superior e um mais forte apego à liberdade que caracterizariam os cidadãos estado-unidenses, em oposição aos franceses. Quer dizer que a leitura psicopatológica do conflito tende a desembocar numa leitura de cariz etnológico (e de tendência racial). É uma tendência que se manifesta também fortemente na historiografia e na cultura contemporânea. Segundo Norman Cohn (2000, p. 21), a Inglaterra "faz-se notar por uma ausência quase total de tendências chiliásticas" e de " chiliaísmo revolucionário", que em contrapartida assolam a França e a Alemanha [21] . Mais radical na deriva etnológica (e, em última análise, racial) é Robert Conquest (2001, p.15), que vê na França e na Rússia (e na Alemanha) os lugares das "aberrações mentais", das quais em contrapartida estão imunes as revoluções inglesa (não se fala senão da Revolução Gloriosa de 1688) e americana. Além disso, a civilização autêntica encontra sua expressão mais acabada na "comunidade de língua inglesa" e o primado desta comunidade tem seu fundamento étnico preciso, constituído pelos "angloceltas" [22] . Então coloca-se aqui uma questão: por o culto dos "angloceltas" deveria ser mais aceitável do que o culto dos "arianos", particularmente caro aos nazis? 

Pois. Para se dar conta do absurdo da remessa à psicopatologia basta reflectir no facto de que o carácter catastrófico da crise revolucionária na Rússia foi previsto com décadas de antecipação por autores muito diferentes entre si. Em 1811, na São Petesburgo ainda abalada pela revolta camponesa de Pugatchev, Maistre vê perfilar-se uma revolução (desta vez apoiada por "Pougatcheve de Universidade", isto é, por intelectuais de origem popular) de uma amplitude e de uma radicalidade de fazer empalidecer a Revolução Francesa. Em 1859 previne: se a nobreza continuar a se opor a uma emancipação real dos camponeses, emergirá um cataclismo social "sem precedentes na história". Em 1905, mesmo o primeiro-ministro russo Serge Witte exprime-se em termos semelhantes! 

Podem-se fazer considerações análogas para a crise que na Alemanha acabou no advento de Hitler ao poder. Pouco tempo após a assinatura do Tratado de Versalhes, o marechal Ferdinand Foch observa: "isto não é a paz, isto não é senão um armistício para vinte anos". O imperialismo alemão não ia tardar em tentar a sua desforra; e ele vai tanto mais facilmente obter um consenso de massa na medida em que os vencedores da Primeira Guerra Mundial se mostram vindicativos e míopes. Neste mesmo período o grande economista John Maynard Keynes, que fez parte da delegação inglesa em Versalhes, põe em guarda contra as consequências de uma "paz cartaginesa":

"A vingança, ouso prever, não tardará. Nada poderá então retardar por muito tempo esta guerra civil final entre as forças da reacção e as convulsões revolucionárias desesperadas; face a que os horrores da última guerra alemã desaparecerão no nada e destruirão, qualquer que seja o vencedor, a civilização e o progresso da nossa geração". [23]

Portanto: "Que o céu nos proteja a todos!" Uma prova de força ia-se perfilando para a hegemonia ainda mais brutal e bárbara que do que aquela que se havia desencadeado no decorrer do primeiro conflito mundial. 

O nazismo caracteriza-se também por sua pretensão a retomar a tradição colonial para realizá-la também, nas suas formas mais bárbaras, na Europa oriental. Pois bem, a partir já do século XIX a cultura europeia mais avançada colocou-se uma questão angustiante: o que teria acontecido se os métodos de governo e de guerra em acção nas colónias tivessem acabado por se impor também nas metrópoles? O próprio genocídio dos judeus não acontece de modo de algum de modo improvisado. Basta-nos dizer que na Rússia devastada pela guerra civil, os judeus, estigmatizados como fantoches do bolchevismo, tornam-se as vítimas de massacres desencadeados pelas tropas brancas apoiadas pela Entente: isto é o prelúdio – observam eminentes historiadores – do que será a seguir a "solução final" [24] . 

Concluamos. A leitura psicopatologisante das grandes crises históricas permite por um lado liquidar como uma expressão de loucura o gigantesco processo de emancipação que vai da Revolução Francesa (das Luzes mesmo) à Revolução de Outubro; por outro lado, ela atribui o Terceiro Reich a uma personalidade doente individual (Hitler), absolvendo indirectamente o sistema político-social e a tradição ideológica que o produziram. A crítica da leitura psisopatologisante (mesmo demonológica) das grandes crises históricas é um hoje um dever essencial da crítica da ideologia e da luta pela razão.
[1] cf. Heinrich von Treitschke, Deutsche Geschichte im neunzehnten Jahrhundert, Leipzig, 1879-1894, vol. III, p. 153.
[2] Benedikt F. X. von Baader, Sämtliche Werke, présenté par F. Hoffmann et alt. (Leipzig 1851-1860), réédition anastatique, Scientia, Aalen, vol. 6, pp. et 26.
[3] Alexis de Tocqueville, Œuvres complètes, présentées par J. P. Mayer, Gallimard, Paris, 1951 et suivantes, vol. XIII, 2, pp. 337-38.
[4] Pour les Souvenirs nous renvoyons le lecteur à l'anthologie de Tocqueville de F. Mélonio et J. C. Lamberti, Laffont, Paris, 1986, pp. 798 et 812.
[5] Hippolyte Taine, Les origines de la France contemporaine (1876-94), Hachette, Paris, 1899, vol. 6, p. 64.
[6] Ibidem., vol. 5, pp. 21 et suivantes.
[7] Ibidem.,vol. 7, pp. 205, 208 et 347-8 et vol. 1, p. 295.
[8] Domenico Losurdo, Le révisionnisme en histoire. Problèmes et mythes, traduit de l'italien par Jean-Michel Goux, Albin Michel, Paris, 2006, chap. 1,1.
[9] Theodor W. Adorno, Eingriffe. Neun kritische Modelle, Suhrkamp, Frankfurt a. M., 1964, pp. 132-3.
[10] Hannah Arendt, The Origins of Totalitarianism (1951) Harcourt, Brace & World, New York, 3° ed., 1966, pp. 457-9.
[11] Cf. Emily Eakin, Is Racism Abnormal ? A Psychiatrist Sees It as a Mental Disorder, in International Herald Tribune du 17 janvier 2000, p. 3.
[12] Wyn C. Wade, The Fiery Cross. The Ku Klux Klan in America, Oxford University Press, New York-Oxford, 1997, p. 11.
[13] Ecce Homo, « Pourquoi j'écris de si bons livres ».
[14] Cf. Theodor W. Adorno, Studies in the Authoritarian Personality, in Id., Gesammelte Schriften, Suhrkamp, Frankfurt a. M., vol. 9, 1, p. 430.
[15] Alexis de Tocqueville, Œuvres complètes, cit., vol. 2, 2, p. 337 ; vol. 6, 1, p. 58 et vol. 3, 1, p. 229.
[16] Domenico Losurdo, Controstoria del liberalismo, Laterza, Roma-Bari, 2005, chap. VIII, § 7.
[17] Alphonse Aulard, Histoire politique de la Révolution française (1926), Scientia, Aalen (reproduction anastatique), 1977, p. 19, note 1.
[18] Cf. Hippolyte Taine, Les origines de la France contemporaine, cit., vol. 4, p. 262.
[19] Martin Luther, Ermahnung zum Frieden auf die zwölf Artikel der Bauernschaft in Schwaben (1525), in Die Werke, présenté par Kurta Aland, Klotz-Vandenhoeck & Ruprecht, Stuttgart-Göttingen, 1967, vol. 7, pp. 165, 168, 174 et 180 ; Martin Luther, Daß diese Worte : Das ist mein Leib etc. noch feststehen. Wider die Schwarmgeister (1527), in Werke, présenté par Diaconus Dr. Buchwald et alt., Schwetschke, Braunschweig, 1890, vol. 4, pp. 342 et suivantes.
[20] Domenico Losurdo, Nietzsche, il ribelle aristocratico. Biografia intellettuale e bilancio critico, Bollati Boringhieri, Torino, 2002, cap. 28, § 2 .
[21] Cf. N. Cohn, The Pursuit of the Millennium (1957), tr. it., de Amerigo Guadagnin, I fanatici dell'Apocalisse, Comunità, Torino, 2000, p. 21.
[22] R. Conquest, Reflections on a Ravaged Century (1999), tr. it., de Luca Vanni, Il secolo delle idee assassine, Mondadori, Milano, 2001, pp. 15, 275 et suivantes et 307.
[23] John M. Keynes, The economic consequences of the peace (1920), Penguin Books, London, 1988, pp. 56 et 267-68.
[24] Cf. Domenico Losurdo, Staline. Histoire et critique d'une légende noire, traduit de l'italien par Marie-Ange Patrizio, Aden, Bruxelles, 2011, chap. 3, 1 et 5, 6.

[*] Professor de história da filosofia da Universidade de Urbino (Itália). Dirige desde 1988 a Internationale Gesellschaft Hegel-Marx für Dialektisches Denken e é membro fundador da Associazione Marx XXIesimo secolo.

Extracto de Psicopatologia e demonologia: A leitura das grandes crises históricas da Restauração aos nossos dias, ensaio publicado na revistaBelfagor. Rassegna di varia umanità, dirigida por Carlo Ferdinando Russo, Editions Leo S. Olschki, Florence, Maço 2012, p. 151-172.
Como se sabe, a Belfagor encerrou. Com esta homenagem agradeço ao meu amigo Carlo Ferdinando Russo e a toda redacção pela hospitalidade que me foi seguidamente oferecida. Domenico Losurdo.

O original encontra-se em http://domenicolosurdo.blogspot.fr/ e a versão em francês em http://www.voltairenet.org/article177087.html


''EL GORDO'': SÓSIA DE JÔ SOARES  QUER COLOCAR FOGO NO BRASIL.



Direita midiática aposta todas as fichas em Roberto Gurgel

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Script do Golpe vai sendo encenado com uma rapidez que supera várias previsões que foram feitas neste espaço nos últimos meses. Em 4 de novembro do ano passado, por exemplo, escrevi sobre tal script em post que antecipava o que estamos vendo acontecer. Abaixo, um trecho daquele texto profético.
—–
“(…) há poucas dúvidas – se é que existe alguma – de que o doutor Roberto Gurgel aceitará, gostosamente, a denúncia que a oposição faz àquele que responsabiliza por suas derrotas eleitorais (…)”
—–
Gurgel já encampou as denúncias contra Lula. E, agora, vai se cumprindo a segunda parte do “espetáculo do golpe” com a representação da oposição contra Dilma feita à instituição que o mesmo Gurgel chefia. Esta previsão foi feita em 27 de dezembro último, no post 2013, o ano do golpeAbaixo, outro trecho profético.
—–
“(…) O golpe “institucional” à brasileira, pois, já está desenhado. Lula (…) dificilmente deixará de ser denunciado por iniciativa da mesma Procuradoria Geral da República que dispõe, também, da prerrogativa de denunciar presidentes da República. Roberto Gurgel (…) ficará mais sete meses no cargo. Uma eternidade, em termos de tempo para tentar inviabilizar Lula ou Dilma como candidatos (…).
—–
É tudo tão previsível que chega a dar sono. Inclusive, vale refletir que o noticiário imbecil sobre catástrofes na economia que tantos veem como má estratégia da direita midiática, pode vir a calhar em um momento em que seja preciso “justificar” alguma medida mais, por assim dizer, “radical”.
Devemos notar, portanto, que a inviabilização dos dois gigantescos candidatos que o PT tem para escolher para disputar a sucessão presidencial de 2014 (Lula e Dilma) com o anti-Lula da vez dependerá de um só homem.
Não serão Joaquim Barbosa, Gilmar Mendes ou qualquer outro teleguiado da direita midiática no STF. Este precisa de uma provocação e só quem pode fazê-la também contra a presidente da República é ninguém mais, ninguém menos do que ele, Gurgel.
Como já foi dito repetidas vezes nesta página, no tempo que lhe resta à frente do Ministério Público Federal o atual procurador-geral pode fazer muito estrago, ainda. Além de arrolar algum parlamentar para remeter a ação contra Lula ao STF em vez de à primeira instância, ele tem a prerrogativa de denunciar a presidente da República.
Eis que o PSDB e a mídia fornecem o material para Gurgel moldar o golpe “institucional” à brasileira: a representação daquele partido contra o pronunciamento de Dilma na semana passada, quando ela foi à tevê e defendeu seu governo dos ataques tucano-midiáticos.
Detalhe: a representação contra Dilma que o PGR deverá aceitar baseia-se, exclusivamente, em matérias de Globo, Folha, Estadão e Veja ao criticarem a presidente por ter ido à tevê.
Restam poucas dúvidas, assim, de que Gurgel irá propor ao STF ações contra Lula e Dilma. E apesar de não haver tempo para tais ações serem julgadas até outubro do ano que vem, a iniciativa, em ano eleitoral, servirá de discurso para uma oposição que pouco tem a dizer.
Claro que restam a Dilma algumas cartas na manga. Ainda há mais dois ministros do STF para ela nomear (caso Celso de Mello antecipe mesmo sua aposentadoria). E, em agosto, ela nomeará o novo procurador-geral da República.
Do jeito que as coisas vão, porém, quem garante que a configuração atual do STF não cometa mais uma barbaridade jurídica e conclua os processos contra Lula e a presidente da República à moda paraguaia, de forma relâmpago? Eis por que o procurador-geral da República é a grande esperança da direita midiática.

OS EFEITOS (POSITIVOS) DOS RAIOS SOLARES AUSTRAIS NAS MARGARIDAS DO CAMPO


CABO DA BOA ESPERANÇA

GHANDI, PESSOA...SERIA O AR PURO DAS MONTANHAS DA CIDADE DO CABO QUE FAZ PRODUZIR\PRODUZIU GRANDES HOMENS?

Palco da vida – Fernando Pessoa

Você pode ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes,mas não se esqueça de que sua vida é a maior empresa do mundo. E você pode evitar que ela vá a falência. Há muitas pessoas que precisam, admiram e torcem por você. Gostaria que você sempre se lembrasse de que ser feliz não é ter um céu sem tempestade, caminhos sem acidentes, trabalhos sem fadigas, relacionamentos sem desilusões.
Ser feliz é encontrar força no perdão, esperança nas batalhas, segurança no palco do medo, amor nos desencontros. Ser feliz não é apenas valorizar o sorriso, mas refletir sobre a tristeza. Não é apenas comemorar o sucesso, mas aprender lições nos fracassos. Não é apenas ter júbilo nos aplausos, mas encontrar alegria no anonimato. Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise. Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história. É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma. É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida. Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um “não”. É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta. Ser feliz é deixar viver a criança livre, alegre e simples que mora dentro de cada um de nós. É ter maturidade para falar “eu errei”. É ter ousadia para dizer “me perdoe”. É ter sensibilidade para expressar “eu preciso de você”. É ter capacidade de dizer “eu te amo”.
É ter humildade da receptividade. Desejo que a vida se torne um canteiro de oportunidades para você ser feliz…
E, quando você errar o caminho, recomece.
Pois assim você descobrirá que ser feliz não é ter uma vida perfeita. Mas usar as lágrimas para irrigar a tolerância. Usar as perdas para refinar a paciência. Usar as falhas para lapidar o prazer. Usar os obstáculos para abrir as janelas da inteligência.
Jamais desista de si mesmo.
Jamais desista das pessoas que você ama.
Jamais desista de ser feliz, pois a vida é um obstáculo imperdível, ainda que se apresentem dezenas de fatores a demonstrarem o contrário.
“Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo…”

Fernando Pessoa


''CAVALEIRO MONGE''

Do Terra
Os Arquivos Nacionais da Índia inauguraram nesta quarta-feira uma mostra inédita que revela uma parte das cartas trocadas entre Mahatma Gandhi e o arquiteto alemão Hermann Kallenbach - que, segundo algumas versões, era mais do que um grande amigo do líder pacifista.
A exibição conta com uma pequena parte de uma ampla coleção que em sua maioria continua oculta aos olhos do público, mas cuja recente e surpreendente compra pelo governo indiano despertou especulações polêmicas sobre uma relação amorosa entre os dois.
O lote completo é composto por 1.500 cartas, mas na exposição - cuja inauguração coincide com o 65º aniversário do assassinato de Gandhi, em 30 de janeiro de 1948 em Nova Délhi, pelo extremista hindu Nathuram Godse -, são mostradas apenas 80.
Destas, apenas seis têm a assinatura de Gandhi, e nenhuma esclarece de maneira determinante a natureza de seu vínculo com Kallenbach.
As mensagens expostas são datadas das primeiras décadas do século XX, e refletem o desejo dos dois remetentes de se reencontrar após terem se conhecido em 1904 na África do Sul, onde conviveram na Fazenda Tolstoi, próxima a Johanesburgo.
Fã de ginástica, Kallenbach iniciou nessa fazenda uma comunidade vegetariana e pacifista que despertou o interesse de Gandhi, que após deixar em 1914 o país africano não voltou a ver seu amigo até 1937, quando este viajou à Índia.
Nos 23 anos de hiato eles mantiveram contato através de cartas em inglês que manifestam sua cumplicidade e se despediam com a palavra "Amor".
Porém, mais que essa linguagem, são as circunstâncias nas quais o Estado indiano adquiriu no ano passado a coleção ao israelense Issa Ben Sarid - descendente de Kallenbach, de origem judaica -, o que levou a relação entre os dois personagens a voltar à tona.
A embaixada indiana em Israel alertou em agosto que Ben Sarid negociava a venda do lote à casa Sothebys de leilões. O governo indiano entrou inesperadamente na negociação com uma oferta de US$ 1,1 milhão e fechou negócio com uma rapidez que, segundo especialistas, não é frequente no mercado.
"Sei o que se diz e sei o que se pensa, mas o que posso dizer é que no material que está expõsto não há nada que induza a se pensar em uma relação homossexual entre os dois", afirmou à Agência Efe Rajesh Verma, especialista dos Arquivos Nacionais da Índia e que admitiu que não leu os outros 1.420 documentos do lote.
A suposta relação amorosa entre Gandhi e Kallembach foi revelada em 2011 pelo prêmio Pulitzer Joseph Lelyveld, que no livro "Mahatma Gandhi e Sua Luta Com a Índia" citava entrevistas e testemunhos que apontavam nesse sentido.
Em sua obra, Joseph Lelyveld se remetia a uma comunicação escrita - que não se sabe se consta na parte oculta do lote vendido por Issa Ben Sarid e adquirido pelo Estado indiano -, na qual Gandhi diz a Kallenbach que "tomaste posse do meu corpo".
Lelyveld também reproduziu o parecer do historiador Tridip Suhrur, para quem não há dúvida de que "eram um casal".
Publicado em 2012 em inglês, o livro foi bem recebido pela elite que domina esse idioma na Índia, país no qual apenas cogitar a possível homossexualidade do líder pacifista é quase uma heresia.
Essa é a postura defendida por um dos curadores da mostra, M. Rajmani, que destacou a importância da exposição "para conhecer melhor o Mahatma", mas negou plenamente que Gandhi tenha tido uma relação sentimental com Kallenbach.
"Não houve nada de homossexualidade entre eles", sentenciou.
Em declarações à Efe, Rajmani não descartou que no futuro sejam exibidas mais cartas da coleção, porém disse que "levará tempo, porque a letra do Mahatma era difícil, e os documentos devem ser transcritos para que sejam inteligíveis ao grande público".
E concluiu; "Gandhi e Kallenbach se gostavam muito, mas como homens, e isso não significa que entre eles houvesse algo mais, não?".

GRANDE PRESIDENTE LULA!... AQUI MAIS UMA RAZÃO QUE O FAZ O BRASILEIRO MAIS RESPEITADO E ADMIRADO MUNDO AFORA


HILDEGARD ANGEL: UMA DAS MAIORES VÍTIMAS DA DITADURA SANGUINÁRIA BRASILEIRA DENUNCIA A MÍDIA GOLPISTA....E SEUS ESTAFETAS NO STF



Hildegard Angel: Sobre a “manipulação de uma mídia voraz”

publicado em 31 de janeiro de 2013 às 13:18
MINHA FALA NO ATO NA ABI PELA ANULAÇÃO DO JULGAMENTO DO MENSALÃO
Por Hildegard Angel, em seu blog, via Julio Cesar Macedo Amorim
Venho, como cidadã, como jornalista, que há mais de 40 anos milita na imprensa de meu país, e como vítima direta do Estado Brasileiro em seu último período de exceção, quando me roubou três familiares, manifestar publicamente minha indignação e sobretudo minha decepção, meu constrangimento, meu desconforto, minha tristeza, perante o lamentável espetáculo que nosso Supremo Tribunal Federal ofereceu ao país e ao mundo, durante o julgamento da Ação Penal 470, apelidada de Mensalão, que eu pessoalmente chamo de Mentirão.
Mentirão porque é mentirosa desde sua origem, já que ficou provada ser fantasiosa a acusação do delator Roberto Jefferson de que havia um pagamento mensal de 30 dinheiros, isto é, 30 mil reais, aos parlamentares, para votarem os projetos do governo.
Mentira confirmada por cálculos matemáticos, que demonstraram não haver correlação de datas entre os saques do dinheiro no caixa do Banco Rural com as votações em plenário das reformas da Previdência e Tributária, que aliás tiveram votação maciça dos partidos da oposição. Mentirão, sim!
Isso me envergonhou, me entristeceu profundamente, fazendo-me baixar o olhar a cada vez que via, no monitor de minha TV, aquele espetáculo de capas parecendo medievais que se moviam, não com a pretendida altivez, mas gerando, em mim, em vez de segurança, temor, consternação, inspirando poder sem limite e até certa arrogância de alguns.
Eu, que já presenciara em tribunais de exceção, meu irmão, mesmo morto, ser julgado como se vivo estivesse, fiquei apavorada e decepcionada com meu país. Com este momento, que sei democrático, mas que esperava fosse mais.
Esperava que nossa corte mais alta, composta por esses doutos homens e mulheres de capa, detentores do Supremo poder de julgar, fosse imune à sedução e aos fascínios que a fama midiática inspira.
Que ela fosse à prova de holofotes, aplausos,  projeção, mimos e bajulações da super-exposição no noticiário e das capas de revistas de circulação nacional. E que fosse impermeável às pressões externas.
Daí que, interpretação minha, vimos aquele show de deduções, de indícios, de ausências de provas, de contorcionismos jurídicos, jurisprudências pós-modernas, criatividades inéditas nunca dantes aplicadas serem retiradas de sob as capas e utilizadas para as condenações.
Para isso, bastando mudar a preposição. Se ato DE ofício virasse ato DO ofício é porque havia culpa. E o ônus da prova passou a caber a quem era acusado e não a quem acusava. A ponto de juristas e jornalistas de importância inquestionável classificarem o julgamento como de “exceção”.
Não digo eu, porque sou completamente desimportante, sou apenas uma brasileira cheia de cicatrizes não curadas e permanentemente expostas.
Uma brasileira assustada, acuada, mas disposta a vir aqui, não por mim, mas por todos os meus compatriotas, e abrir meu coração.
A grande maioria dos que conheço não pensa como eu. Os que leem minhas colunas sociais não pensam como eu. Os que eu frequento as festas também não pensam, assim como os que frequentam as minhas festas. Mas estes estão bem protegidos.
Importa-me os que não conheço e não me conhecem, o grande Brasil, o que está completamente fragilizado e exposto à manipulação de uma mídia voraz, impiedosa e que só vê seus próprios interesses. Grandes e poderosos. E que para isso não mede limites.
Esta mídia que manipula, oprime, seduz, conduz, coopta, esta não me encanta. E é ela que manda.
Quando assisti ao julgamento da Ação Penal 470, eu, com meu passado de atriz profissional, voltei à dramaturgia e me lembrei de obras-primas, como a peça As feiticeiras de Salém, escrita por Arthur Miller. É uma alegoria ao Macartismo da caça às bruxas, encetada pela direita norte-americana contra o pensamento de esquerda.
A peça se passa no século 17, em Massachusets, e o ponto crucial é a cena do julgamento de uma suposta feiticeira, Tituba, vivida em montagem brasileira, no palco do Teatro Copacabana, magistralmente, por Cléa Simões. Da cena participavam Eva Wilma, Rodolpho Mayer, Oswaldo Loureiro, Milton Gonçalves. Era uma grande pantomima, um julgamento fictício, em que tudo que Tituba dizia era interpretado ao contrário, para condená-la, mesmo sem provas.
Como me lembro da peça Joana D’Arc, de Paul Claudel, no julgamento farsesco da santa católica, que foi para a fogueira em 1431, sem provas e apesar de todo o tempo negar, no processo conduzido pelo bispo de Beauvais, Pierre Cauchon, que saiu do anonimato para o anonimato retornar, deixando na História as digitais do protótipo do homem indigno. E a História costuma se repetir.
No julgamento de meu irmão, Stuart Angel Jones, à revelia, já morto, no Tribunal Militar, houve um momento em que ele foi descrito como de cor parda e medindo um metro e sessenta e poucos. Minha mãe, Zuzu Angel, vestida de luto, com um anjo pendurado no pescoço, aflita, passou um torpedo para o então jovem advogado de defesa, Nilo Batista, assistente do professor Heleno Fragoso, que ali ele representava. O bilhete dizia: “Meu filho era louro, olhos verdes, e tinha mais de um metro e 80 de altura”. Nilo o leu em voz alta, dizendo antes disso: “Vejam, senhores juízes, esta mãe aflita quebra a incomunicabilidade deste júri e me envia estas palavras”.
Eu era muito jovem e mais crédula e romântica do que ainda sou, mas juro que acredito ter visto o juiz militar da Marinha se comover. Não havia provas. Meu irmão foi absolvido. Era uma ditadura sanguinária. Surpreende que, hoje, conquistada a tão ansiada democracia, haja condenações por indícios dos indícios dos indícios ou coisa parecida…
Muito obrigada.

DO BLOG AMIGOS DO PRESIDENTE LULA


Lula, vídeo na íntegra: A revolução nas comunicações está nas redes sociais

 
“Não existe mais nenhuma razão de se manter o bloqueio [de Cuba] a não ser a teimosia de quem não reconhece que perdeu a guerra, e perdeu a guerra para Cuba”, disse hoje, dia 30, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao discursar no encerramento da 3ª Conferência Internacional pelo Equilíbrio do Mundo, patrocinada pela Unesco.

Ele conclamou Obama "ter a mesma ousadia que levou seu povo a votar nele" e mudar os rumos da política externa para Cuba e América Latina.

Lula abriu o seu discurso pedindo um minuto de silêncio para as vítimas do incêndio em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, e fez uma homenagem a Hugo Chavez, que se encontra internado em Havana, em tratamento de saúde.

Com relação aos assuntos do continente, Lula disse que o desafio dos presidentes e líderes não é só promover a qualidade de vida e bem-estar, mas a integração latino-americana.

“Vocês não podem voltar para suas casas e simplesmente colocar isso [a participação no evento] nas suas biografias. É necessário que vocês saiam daqui cúmplices e parceiros de uma coisa maior, de uma vontade de fazer alguma coisa juntos mesmo não estando reunidos [fisicamente]”, afirmou Lula, dizendo que a tecnologia atual permite maior integração.

Lula propôs uma "revolução na comunicação" radicalizando o uso das redes sociais para contrapor a velha mídia do contra. O recado foi: nós não podemos depender dos outros para publicar o que nós mesmos devemos publicar.

“Nem reclamo, porque no Brasil a imprensa gosta muito de mim”, ironizou o ex-presidente. E deu a sua opinião sobre a razão pela qual a mídia tradicional tem resistência a ele: “Eu nasci assim, eu cresci assim e vou continuar assim, e isso os deixa [os órgãos de imprensa] muito nervosos”. O mesmo se aplicaria aos outros governos progressistas da América Latina: “Eles não gostam da esquerda, não gostam de [Hugo] Chávez, não gostam de [Rafael] Correa, não gostam de Mujica, não gostam de Cristina [Kirchner],não gostam de Evo Morales, e não gostam não pelos nossos erros, mas pelos nossos acertos”, disse. Para Lula, as elites não gostam que pobre ande de avião, compre um carro novo ou tenha uma conta bancária.

“Quem imaginava que um índio, com cara de índio, jeito de índio, comportamento de índio, governaria um país e, mais do que isso, seu governo daria certo?”, indagou Lula, referindo-se a Evo Morales, presidente da Bolívia. Ele contou que a direita brasileira queria que ele brigasse com Evo, quando ele estatizou a empresa de gás boliviana, que era de propriedade da Petrobras. “Aí eu pensei: eu não consigo entender como um ex-metalúrgico vai brigar com um índio da Bolívia”, contou o ex-presidente, sob os aplausos da plateia. (Com informações da Telesur e do Instituto Lula)

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Lula homenageia Chávez em Cuba



O ex-presidente Lula  prestou homenagem nesta quarta-feira a seu amigo Hugo Chávez, ao discursar num encontro internacional em Havana, onde Chávez  se recupera de uma cirurgia. "Eu não vim com uma guayabera branca (camisa tradicional no Caribe) como os cubanos geralmente usam. O objetivo também é homenagear outro companheiro nosso que tem muito a ver com tudo o que está ocorrendo em nossa querida América do Sul e na América Latina", disse Lula referindo-se a Chávez.

"Que a energia positiva deste encontro possa ajudar nosso querido companheiro Chávez, para que se recupere rapidamente", acrescentou Lula no encerramento do encontro internacional pelo "equilíbrio do mundo", que marca os 160 anos do nascimento do herói nacional cubano José Martí.

Lula contou que havia se reunido nesta quarta com o líder cubano Fidel Castro e depois almoçado com seu irmão, o presidente Raúl Castro. "Devo dizer a vocês que cheguei um pouco atrasado - só um pouquinho -, já que fui visitar um grande companheiro nosso também, o companheiro Fidel Castro", disse Lula, que criticou os Estados Unidos ao afirmar que têm "ouvidos surdos" para a América Latina.

"Depois, como ninguém é de ferro, fui almoçar com nosso companheiro Raúl Castro", acrescentou Lula no encontro realizado no Palácio de Convenções de Havana.

Ao iniciar seu discurso, Lula brincou prometendo que falaria menos do que Chávez e Fidel Castro, e inclusive menos do que a presidente argentina, Cristina Kirchner.

Lula chegou na segunda-feira a Havana, de onde viajará para Santo Domingo. Depois visitará Washington.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

PSDB quer que Dilma explique ao MP uso de blazer rosa na TV



Representação do PSDB  reclama da roupa usada por Dilma

 O PSDB está desesperado. Quer se manter na mídia, nem que para isso faça papel ridiculo como esse

A presidente Dilma, que preza por modelos discre­tos, não poderia imaginar que um blazer nada decotado pode levá-la à dar explicações ao Ministério Pú­blico. O PSDB,  reclamou da cor do casaco usado por ela na semana passada, durante pronunciamento de TV no qual anunciou a redução da tarifa de energia elétrica.

Os tucanos levaram on­tem o caso, à Procuradoria-Geral da República por verem uso da máquina pública com fins de promover a candidaturar à ree­leição de Dilma - a sucessão presidencial é no ano que vem.

"A presidente Dilma usou roupas vermelhas no pronun­ciamento oficial em uma cla­ra referência às roupas verme­lhas utilizadas na campanha de 2010 (...) fazendo alusão à cor do seu partido", diz a peti­ção, que apontou outros deta­lhes que comprovariam o tom eleitoreiro na apresentação.

Mas o blazer da discórdia, neste caso, é inocente, segundo o cabeleireiro Celso Kamura, que arrumou pessoalmente a presidente antes da grava­ção, e confirmou o que o ví­deo e as fotos já dão a enten­der: as vestes, na verdade, não são de tonalidade vermelho-PT, mas "eram sem dúvida ro­sa chiclete Ping-Pong", segun­do definição do hair stylist.

O deputado Carlos Sam­paio (SP), novo líder do PSDB na Câmara, admitiu que ele e o grupo que analisou o vídeo não se ativeram às nuances de pigmento, mas minimizou a importância do assunto. "Entendemos ser vermelho, mas isso é um deta­lhe pequeno que faz parte de um contexto. Ela pode usar a cor que bem entender, só qui­semos mostrar a mudança no comportamento dela. É a pri­meira vez que aparece nessa cor porque em pronuncia­mentos anteriores, como no último, ela vestiu preto com uma renda branca por cima."

Quem falou com a estilista Luisa Stadlander, que assina a maioria dos modelos usados por Dilma, disse que ela está chateada com a polêmica. Ela se recusa a falar publicamen­te sobre o assunto.

O fato é que os tucanos acer­taram a dizer que Dilma vem apresentando mudanças no visual. "Em doses homeopáti­cas", comenta Kamura.